Neste aeroporto militar que agora serve de comercial, existe um controlo policial anormal que me obriga passar para aqui o que passo todos os meses. Excesso de recursos?
Falo do número de pessoas que têm como função revistar e controlar os documentos para quem sai de Birskra em direcção a Paris.
Ainda no carro, à entrada para o parque de estacionamento estão dois polícias que me fazem uma continência e mandam parar. Rodeiam o carro em passo atento, espreitam para o interior e passado 4 segundos, sem exagero, manda-me seguir.
Estaciono o carro, despeço-me do motorista e dirijo-me para o aeroporto propriamente dito que mais parece uma paragem de autocarros dos anos 70. Na humilde entrada, tem um detector de metais e o respectivo tapete para controlar as malas onde mais dois policias me revistam e indicam que caminho devo seguir.
Dentro do aeroporto, que não é maior que metade de um corte de ténis, tem o chão em tijoleira de cor fria, as cadeiras de madeira e alinhadas em fileira, onde se pode fumar e apagar cigarros no chão, faço o check in na única bancada que existe. Aqui mostro o bilhete a mais dois policias que observam atentamente o meu bilhete. Faço o check in, mostro o passaporte, papel de saída do país, o bilhete e o visto seguindo para mais uma entrada onde estão mais dois policiais de ar sério como quem dá aquele ar de “nós é que somos!”. Estes controlam, outra vez, os meus documentos e acenam-me a cabeça. Três metros mais à frente, enfrento mais dois, numa bancada que parece uma cabine telefónica, onde me fazem todas as perguntas: de onde sou, para que empresa trabalho, onde dormi, que projecto estou envolvido, quando cheguei, etc. Depois de muitas perguntas e, mais uma vez, verificação dos documentos, carimbam-me finalmente o passaporte. Dois metros à frente, está outra cabine exactamente igual à anterior com mais dois policiais, uma mulher e um homem que espiam outra vez a minha documentação. Na mesa ao lado está mais um que me pergunta se tenho declaração de bens, por exemplo do computador. Não tenho, por isso aguardo que outro que me questiona a razão de não possuir esta declaração. Digo que não sabia, ao que me responde – “ok pode seguir”. De seguida passo por mais dois militares, mais um detector de metais, um tapete de malas (onde verificam a mochila de mão), e me revistam outra vez.
Vou para uma sala de espera, também muito humilde, com casas de banho sem sanitas, com os típicos buracos no chão e quase sem portas, onde espero duas horas que venha mais um fiscalizador com a chave da porta que dá para a pista. Quando este chega, o guarda faz sinal e todos se aglomeram à volta dele, onde mais vez, ele verifica o bilhete e o passaporte de cada um. Após passar este guarda policial formado pelas exigentes academias militares da Argélia, vou a pé para o meio da pista do aeroporto onde estão todas as malas pousadas no chão. Aqui indico a um funcionário qual é a minha mala e ele coloca-a no carrinho e aponta para mais um guarda policial com uma mesa onde, mais uma vez, a minha mochila é verificada. A seguir, outro distinto policial revista-me e finalmente, o funcionário do avião verifica pela última vez o meu bilhete e entro no avião para Paris.
Contabilizando, e sem contar com os funcionários do aeroporto ou da companhia aérea sou controlado por 19 policiais, sou revistado do 3 vezes, a minha mochila 4 vezes, passo em dois detectores de metais, e perco a conta à quantidade de vezes que olham para os meus documentos, para chegar ao avião, e nem sequer ter lugar marcado. Mas posso-vos adiantar que se quisesse transportar algo ilegal, seria extremamente fácil.
Finalmente chego a Paris, que por sua vez, está coberto de neve, e me convence que esta é de facto uma cidades mais bonitas que já vi.
Saha!
15/02/2009
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