Cheguei da Alemanha e de Portugal e agora estou na Argélia depois de duas semanas a viver à rico onde quase enjoei lavagantes e lagostas, onde aprendi como se vai às melhores marisqueiras e se pede o melhor sem olhar para o preço. Ter que passear o Argelinos por Portugal e pela Alemanha tem coisas boas. Fui guia turístico em Óbidos, no Porto, fui tradutor na Alemanha e até Jesualdo Ferreira fui por momentos.
Por essas e por outras caio na tentação de escrever vulgaridades que toda o ser humano sabe, lê ou ouve falar, correndo o risco de ninguém ler isto, por ser simplesmente mais um texto, mais umas linhas banais. No entanto, não resisto. Falo das diferenças abismais entre estes povos, as diferenças que vou vendo. Entrar num avião no local onde as pessoas praticamente moram no chão e comem com as mãos, e sair do avião num dos locais mais evoluídos, organizados e disciplinados do planeta deixa-me, no mínimo, irrequieto. Neste extremo, nos arredores de Frankfurt, fico a dormir num antigo Hotel Palácio em frente ao um lago rodeado de uma vegetação intensa, limpa, sombreada e verdejante, uma reserva natural - Koblenz tem tudo o que espelha a Alemanha. É Domingo, as famílias passeiam calmamente na trilha entre a vegetação e o lago, e tudo é tão ordenado que parece que é de propósito, como se estivesse a apreciar um pintura. Até os patos que chapinam na água parecem estar ali para nós vermos. As pessoas estão nos locais onde deviam estar, o lixo não existe, as árvores e arbustos estão de tal maneira recortados que parecem ter sido educados desde pequenas, nada está fora do lugar, nada é ao acaso, não há uma única linha contínua de estrada gasta, não há falhas nem imprevistos, os carros de alta cilindrada são aos pontapés e respeitam rigorosamente a velocidade indicada no GPS. Enfim, “ à Alemão”. Todos nós sabemos ou ouvimos falar desta organização Alemã. Eu pelo menos já conhecia.

Portugal está no meio. Como todos sabemos, somos Tugas, e escuso de explicar. Já agora, adoro ser Tuga, adoro Portugal e adoro tudo o que é Português. Acho que até já gosto do famoso busso português.
No extremo oposto, a Argélia, mais propriamente esta zona onde moro. Tão extremo que basta ler alguns textos antigos para perceber as “ ligeiras diferenças”. Tão extremo que aui "não sou mais um", que já não passo despercebido, principalmente entre as forças policiais e população da zona. Digo isto pois quando deixo o avião no aeroporto de Birkra e enquanto espero as malas no “gigante” tapete rolante de 4 metros , cinco homens fardados, armados, da policia especial, vem ter comigo e perguntam se sou o “ Louyiz Loyto”, escrito num papel amarfanhado – Penso que é Luís Leite” em Argelino. Digo que sim, e fico a saber que dois jipes da policia irão fazer a escolta do Louyiz Loyto até casa, durante as próximas horas no típico estilo aparatoso duma escolta. Sim, com sirenes e tudo! Neste país a escolta é obrigatória para expatriados, mas normalmente ninguém a quer pois chama a atenção. Por isso evita-se. Foi o que fiz. Continuo sem saber quem a “encomendou” para nós, mas depois de umas conversas na esquadra local, convencemo-los a fazer a viagem para El Oued sem a companhia de sirenes e jipes da polícia na estrada sem fim, onde desta vez as lagoas secaram e deixaram o sal à vista.
Como é que a uma distância de 4 horas de avião, tudo é tão diferente?

Neste momento estamos em Maio. O que em tempos para mim era uma necessidade, agora deixou de ser. O sol e o calor já começam a dar um ar da sua graça. Para já só estão 32 graus de média e não vejo uma nuvem há muito tempo. Terei que me habituar. O pior está para vir.
A próxima vez escreverei mais “banalidades” destas quando vier de férias em Junho. Só não sei é donde, mas isso, os meus amigos decidirão no dia anterior.
A próxima vez escreverei mais “banalidades” destas quando vier de férias em Junho. Só não sei é donde, mas isso, os meus amigos decidirão no dia anterior.

Louyiz Loyto (é bonito..)
ResponderEliminarSó para te dizer OLÁ e dizer também que vou continuar a seguir o que escreves....Reparo que
o fazes melhor. É bom para ti, mas também é bom para quem te lê.
Beijo
Graça
Fico contente por saber que o optimismo em ti tem sido fundamental para aguentar esse clima. Parabéns pela tua maneira de escrever que segui rapido mas com atenção. Fui breve mas consegui já que eu sou um avesso a estas modernices de blogues.computadores, net, tec, etc....
ResponderEliminarUm forte abraço do tio Békus
:)
ResponderEliminarkeep smiling my friend, e paciencia!
beijinhos
carla
Gostei, adorei a maneira como escreves, consegues prender uma pessoa. Agora no final vais escrever um livro de todas as diferenças que te vais apercebendo, e vai ser um best-seller. A melhor maneira que tens para enfrentar essa situação, é apaixonares-te. Apaixona-te pela terra, pelo sol, pelo clima e pelas pessoas, ainda vais ter saudades...
ResponderEliminarForça, já falta menos, beijinhos
Tia Ana (Békus)
Ó Senhor Tio Bekus, o senhor está como eu, mas lá vamos usando estas coisas e agora até temos um
ResponderEliminargrande estímulo: escrever ao nosso querido Louitz
Loyto que por tão longinquas paragens ganha a vida e ao mesmo tempo faz literatura...de viagem! E nós, claro, lucramos!! Não tenho o prazer de o conhecer, mas aqui vai uma saudação!!
E tu Louitz, já vês alguma nuvem? A propósito, aqui vai um dito: "os chefes são como as nuvens: quando desaparecem fica um dia lindo!" Como vês existe outro modo de encarar a(s) dita(s) cuja(s
Beijos, muitos
Graça
Olá!
ResponderEliminarAs informações que me deste por e-mail sobre o teu trabalho deviam passar para aqui e se possivel até mais desenvolvidas.Se não, os teus familiares e amigos(as) julgam que estás em férias..Não julgam nada, isto é a tua tia a falar! Sei que andas cansado, com muito trabalho e não te apetece..Por isso estás perdoado!
Beijos. Graça