Almoçar aqui no contentor refeitório tem várias particularidades. Não tenho se quer opção. Come-se o que nos dão e entendendo o lema – “Primeiro come-se, e depois vê-se se gosta”.Num raio de 40 km não há onde comer, e mesmo que houvesse, as condições de higiene faziam com que a ASAE (se aqui existisse) entrasse em colapso.
Para além do sabor ser sempre o mesmo, existe a companhia das moscas. Estas obrigam a que cada vez que levo o garfo à boca, tenha que ter cuidado para evitar que alguma dessas amigas esteja lá pousada. Um braço é para o garfo, outro é para afastar as moscas, tornando o refeitório extremamente cómico, como se toda a gente fosse maestro por uma hora.
Hoje por exemplo não há moscas. Hoje há vento, muito vento, que nem elas sobrevivem. Tanto, que a areia levantada cobre o céu e penetra por todos os pontos do nosso corpo. Trabalhar na obra, só com óculos, a maior parte deles de neve. Quando chove, chove lama. A areia no ar agarra-se à chuva. Ficar lá fora é praticamente impossível, não se vê nada, como se fosse um dia de nevoeiro intenso.
Fico espantado que o dia de mais vento, de menos moscas, é o dia de mais portugueses. Para além de nós que estamos cá a trabalhar, apareceram mais 5 Portugueses, que viajam de mota desde Portugal. Já atravessaram a Europa, a Tunísia e vieram agora a Argélia. Penso que também quero fazer algo assim parecido, e depois penso que não sei andar mota.
Pessoal de Lisboa que veio quebrar a rotina de mais um almoço, desta vez sem moscas. Estupefactos, dizem mais uma vez, que os Portugueses estão em todo o lado, e partem novamente para o sul da Tunísia!
À medida que se vai fazendo a vida por aqui, vamos conhecendo os cantos à casa. Conheço quem me arranje camelos para ir passear, a mesma pessoa que diz que se quiser me leva às maiores dunas do sudeste do deserto onde se passará a noite a comer carne de camelo grelhada,e a contemplar um por-do-sol espetacular. Nas minhas tentativas pessoais de desbravar o deserto q apanhar as dunas mais altas, já atolei de pick up duas vezes, mas isso faz parte. Para quem gosta deste tipo de desportos motorizados aventura, este local é sem dúvida muito bom.
A rotina instala-se e começo a sentir o que é viver aqui. De vez em quando aparecem coisas ou pessoas que me fazem perceber que toda a gente está em todo o lado. Enquanto estava no edifício da Algerie Telecom para tratar da Internet, que demorou quase dois meses, ouço falar espanhol. O meu tradutor fica também espantado como é que aqui está um grupo de Cubanos e Mexicanos que trabalham na construção do Hospital na zona. O Pedro, logo me convida para o aniversário de um deles, e me pergunta baixinho se por acaso, eu bebo bebidas alcoólicas.
Rio-me!
Começo a perceber que este país, se mudar um pouco a mentalidade, poderá ser uma das potências mundiais em 30 anos. Têm tudo - Petróleo, gás natural, potencial enorme para vários tipos de turismo, mão de obra e vontade.
Com um pouco de sorte ainda trazes, em saquinhos, areia do deserto para vender por cá...
ResponderEliminarUm abraço
Alcool??!!! Se bebes??!!! Até eu, aqui, me rio!!!
ResponderEliminarMarta
saudades desse guri!!!!!
ResponderEliminarbeijinhus....
Rolinha...
ResponderEliminarEstás um poeta...mas cheio de erros!
Cuidado que esse pente pode ser o teu fim..
Abraço
Rui
As moscas é que é pior.... mas areia? Quanta comeste tu quando eras pequeno lá na praia de Miramar??? Enfim, mais um provérbio turco para te animares: "Com paciência, a poeira converte-se em doce".Paciência, paciência e mais paciência! Que seja a tua palavra preferida nesta altura!!
ResponderEliminarBeijos, muitos. Graça