Passado o choque inicial, começo-me a habituar a viver aqui. Começo a perceber que todo o ser humano adapta-se a qualquer tipo de condições, e sei que existem bem piores, excepto uma mulher. Incomoda-me cada vez mais o estatuto social delas. É claramente inferior. Algumas são maltratadas, vivem amedrontadas, têm receio de que o véu lhes caia, não saem de casa a não ser para trabalhar, estão proibidas de conviver em qualquer espaço público, não têm quase opinião.
Enquanto estou num pequeno restaurante que eles chamam de “fast food”, entra uma mulher que simplesmente pede um copo de água ou uma moeda. O dono, que se situa à porta faz sinal ao empregado para lhe servir. Vocês não imaginam o esforço que a mulher fez para beber um simples copo de água. Tem daqueles véus constituído por duas peças. A peça que tapa a cabeça e a peça que tapa o rosto. Só se vem os olhos. Para beber não pode tirar véu - Põe o copo debaixo do véu, inclina-se para trás e satisfaz a sua sede entornando metade da água, mas “contente” porque não tirou a burka e enquanto os restantes clientes continuam as suas conversas. Eu fico estupefacto, eles não.
Existem outros tipo de véus. Aqueles que são um lençol gigante que tapa tudo. Tudo sem excepção. Nestes casos elas só estão com um dos olhos à vista. Não estou a exagerar. De todo o corpo, só se vê um olho, e mal!
Sei que existem sociedades muçulmanas em que as mulheres vivem uma vida normal sem este exagero, e dentro dos limites, bem. Mas aqui não me parece. Tenho amigos cubanos trabalham num hospital de ginecologia, onde muitas mães aparecem grávidas. Estas vêm de outras cidades porque engravidaram sem casar. Isto é um escândalo. Caso se saiba na terra delas, são enxovalhadas e retiram-lhes o filho optando por ir para outra cidade. Isto acontece, contaram-me eles que vivem aqui há dois anos, e sabem melhor que eu este tipo de coisas.
Por isso, minhas queridas mulheres portuguesas que tanta falta me fazem aqui, não se queixem!
Adoro-vos!
Nota: Não quero com isto causar incómodos, pois sabem que a maior parte, casadas, vivem uma vida considerada normal com a sua familia, nas suas casas, à maneira deles e tranquilamente.
25/03/2009
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e nós também gostamos muito de ti :)
ResponderEliminarsaudades! *
A rainha Raina, da Jordânia, que é muçulmana e tem alertado para a situação das mulheres por essas bandas diz que há muito trabalho a fazer e que o mais difícil é mudar a mentalidade dos homens! E olha que é capaz de ter razão...
ResponderEliminarAté breve e um beijo
Graça